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5 coisas que Portugal ensinou-me

Mudar é um desafio. Mudar de país, recomeçar uma vida e ser responsável pelo recomeço da vida dos teus filhos, é dos maiores desafios que uma mudança pode trazer.

Vivemos em Portugal há 3 anos e já acumulamos ALGUNS aprendizados nesse tempo. O maior deles, eu acredito, é que a evolução é constante. Os aprendizados nunca acabam.



1. Basta 1 segundo para tudo mudar

Planejamento é importante, muito! Mas estar disposto a encarar o inesperado é o que vai fazer a real diferença. Em 2017 escolhemos Oeiras como nosso novo lar. Nem tudo aconteceu conforme imaginamos e em um ano nos vimos de novo de malas prontas rumo a um novo desconhecido. Nossos filhos não encararam bem esse ideia e foi aí que aconteceu a nossa primeira crise, quando o Gabriel, na época com 10 anos de idade, gritou na nossa cara "vocês estão acabando com a minha vida!". Hoje eles estão super adaptados e dizem que não querem sair de Mafra por nada. A verdade é que podemos viver BEM em qualquer lugar desse país.


Oeiras e a nossa vista deslumbrante para o Rio Tejo. Vida nova em Mafra, ao pé do Palácio.



Em 2018 tivemos outra mudança importante nos planos: os nossos trabalhos. Um de nós precisava ter um rendimento fixo para garantir a estabilidade, foi quando o Fred deixou de ser meu sócio e encarou um novo desafio. Em 2019 tivemos os nossos piores momentos até hoje, de muito stress, em dois momentos distintos: o primeiro foi a venda da nossa casa no Brasil e o segundo a obra do nosso apartamento em Portugal (isso rende um capítulo extra nesse blog, aguardem).

Pois então não é que 2020 trouxe uma pandemia, um lockdown e uma crise financeira, apenas 2 meses depois da gente decidir investir em um negócio novo? É isso, minha gente, em 1 segundo tudo pode mudar, se vai ser pra pior ou pra melhor, depende de como você encara isso.


2. Valorizar o que é nosso

Portugal é um país maravilhoso e os portugueses sabem disso! Aqui eu aprendi uma coisa que é meio óbvia, mas sim, eu precisei sair do meu país pra mensurar de verdade o valor que ele tem. O Brasil é um país riquíssimo em recursos! Naturais e humanos. Encontrar bons fornecedores e parceiros dentro de Portugal tem sido um desafio à parte.

E agora, quando eu digo que precisamos valorizar "o que é nosso", já não me refiro mais apenas ao Brasil, mas também a Portugal, que eu considero a nossa casa. Muitas pessoas menosprezam o país por não ser desenvolvido como o restante da Europa, mas esquecem a riqueza de possibilidades que temos por aqui. Quem sabe em vez de olhar o que nos falta, vamos focar no que nos completa? Meu trabalho me permite visitar muitos lugares, conhecer pessoas, e nós aprendemos a valorizar cada momento desses para explorar tudo como deve ser.


Nossa ida à Beja, no Alentejo, para resolver burocracias (entrevista no SEF), também virou um passeio turístico.


3. Paciência

Eita! Já viram um ariano ter paciência? Seria preciso nascer de novo, sim. Mas eu considero que Portugal me ensinou, de alguma forma, a ter essa virtude mais presente na minha vida. Faziam só 2 meses que tínhamos chegado aqui e aconteceu uma situação muito chata, que eu contei a pouquíssimas pessoas até hoje. Eu achei que não saberia conviver com certas questões e cheguei a deletar todas as minhas redes sociais na época.


Curtimos um lindo dia praia em Oeiras e na saída encontrei o carro desse jeito.


No parabrisa havia um papel com um telefone e eu liguei, já nervosa. A pessoa do outro lado, no melhor estilo "curto e grosso", perguntou qual era a matrícula da viatura. E eu pensava: matrícula? viatura? Socorro!!! Expliquei que não sabia o que aquilo significava, mas a pessoa claramente não tinha paciência muito menos boa vontade. O que aconteceu foi que eu estacionei em um local que era PAGO, mas ESQUECI de pagar. Nesse caso eu só poderia tirar meu carro dali depois de pagar, A VISTA, a multa de 90€. Enquanto eu esperava o fiscal chegar, observei pelo menos três carros estacionados em locais proibidos, como calçadas ou lugares que não eram vagas. E nenhum deles estava bloqueado. Fiquei mais nervosa ainda e, enquanto esperava, procurei no Google informações sobre a legislação. Encontrei muitas reclamações e afirmativas de que esse bloqueio não era legal. Quando o fiscal finalmente chegou, eu questionei sobre aquilo, pedi pra ele me mostrar a identificação dele, enfim, SÓ PIOREI a situação. Tive um ataque de raiva, perdi a razão e acabei sentada na grama, aos prantos. Nesse dia eu senti que não era justo ter um canal na internet falando coisas sobre Portugal se eu não sabia lidar com as coisas de Portugal. Excluí todas as redes sociais. Semanas depois recebi um email que me fez repensar essa decisão. Pensei sobre a importância de falar também sobre as coisas que a gente ainda não sabe lidar. A vida é isso. Estamos sempre a aprender algo. Eu aprendi a ter mais paciência, era isso ou ficava bloqueada na vida.


4. Frescura é um estilo de vida


No Brasil, a "frescura" tem um sentido pejorativo na comunicação informal. É relacionado a qualquer coisa supérflua, sem importância. Em Portugal, frescura é um termo usado na sua essência: a sensação de fresco, aquilo que alivia e conforta, a vivacidade e o entusiasmo. Então aqui eu aprendi a levar uma vida cheia de frescura. Simples e mais leve. Não precisamos TER tantas coisas como tínhamos no Brasil, não precisamos PAGAR para ir a lugares maravilhosos. Só precisamos ser.

Foi aqui, em agosto de 2018, que nossos filhos aprenderam a andar de bicicleta. Já com mais de 10 anos de idade! Antes faltava tempo, disposição, um lugar adequado, paciência.

Em Portugal trabalha-se muito. É comum as pessoas terem mais de um trabalho para garantir o sustento da família. O salário mínimo é baixo. Muito portugueses reclamam disso, mas mesmo assim, eu acho que eles sabem aproveitar a vida. Vivem nesse ritmo mais manso, bebem uma tacinha de vinho no intervalo do almoço, no verão podem sair do trabalho e ainda aproveitar o sol na praia até as 20h. Isso é qualidade de vida com frescura.


5. "Casa" não é um lugar, é um sentimento

Apenas 10 meses depois da imigração, nós visitamos o Brasil e eu já não me sentia pertencente àquele lugar. Portugal me desperta sensações que me fazem sentir em casa. E esse sentimento é itinerante, ele pode nos acompanhar pela vida. A distância não diminui a importância.

Viver, criar memórias, guardar boas lembranças, é isso que nos faz sentir em casa, onde quer que estejamos.



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